catatonizando

palavras de um eu catatônico

o fim

Eu doo.
Doo da ausência de teus carinhos.
Dos momentos passados, não esquecidos.
Das lembranças do que contigo não vivi.

Doo dos abraços partidos.
Dos sonhos descabidos.
Do futuro esquecido.
Do choro que engoli.

Doo da saudade intensa.
Da paixão violenta.
Da entrega fulminante.
Do beijo que se foi.

Doo do amor que partiu, mas não passa.
Da falta de graça.
Do sentido ausente.
Do fim iminente.

Doo dos nossos lugares.
Do tudo que levaste.
Das palavras que calaste.
Das que dissestes também.

Doo de dor doída.
Dor de amor substituída
Pela dor do adeus.

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identidade

eu sou um mundo que não cabe em mim
e também aquilo que todo dia tem fim
eu sou seda: macia, doce, serena
e também lâmina prestes a cortar, azeda
eu sou o vulcão cheio de lava
e também blasé, indiferente, comportada
eu sou o frio da noite adentro
e também a paixão desvairada

eu sou sensível sem saber ser
e às vezes choro sem ter um por quê
eu sou confusa, estou sempre em dúvida
e não chego a nenhum veredicto
eu sou calada, pensam que sou muda
e com uma mente barulhenta, lamento não ter dito
eu sou frágil como uma gota de chuva
e quebro facilmente quando decepcionada

eu sou ponto e sou vírgula
eu sou porém e sou conformidade
eu sou tudo e sou nada
eu sou permanência e sou saudade

uma fantasia para o fim do mundo

ai dos inocentes!
acreditam no alívio
causado pela ausência
da dor lancinante
ignorando o encontro
na dor pungente
no sofrimento atroz
do abrandamento do pesar
desconhecendo:
o sofrer surdo
o apelo sem voz
de um peito
pretensamente
curado
é capaz de matar
pouco
a
pouco
como um veneno
toma conta do corpo
enquanto quem não se sabe
enfermo
permanece
a sonhar.

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