Amor e cautela

por catatonizando

É incrível como as pessoas gostam com cuidado. É incrível como as pessoas amam com restrições. Devemos ter cautela, eu sei, afinal de contas não se deve entregar a quase totalidade de sentimentos bonitos que brotam de dentro de si para um alguém qualquer. Mas é que tanta preocupação tá ficando excessiva, e tá destruindo possibilidades de encontros verdadeiros. Ama-se com um pé atrás, como quem tá esperando ser apunhalado pelas costas, como quem tá esperando ter o coração devastado a qualquer momento. Ama-se de um jeito contido, sem gostar demais ou extravasar emoção, mas não necessariamente por medo, e sim por preguiça: estabelecer uma profunda conexão com o outro dá trabalho, principalmente em um mundo em que somos sobrecarregados por preocupações mais “sérias”. Ama-se pensando já no próximo, porque, é claro, há sempre de se esperar pelo fim.

Assim, nos envolvemos com pessoas legais e atraentes, uma após a outra, em relacionamentos supérfluos que nada têm a dizer, pois neles falta o que deveria ser básico em toda relação: a ligação. Porque decidimos nos relacionar ao responder a pergunta “por que não?”, em vez da “por que sim?”. Porque os relacionamentos são uma obrigação, e não a expressão de um sentimento. E, nesse ritmo, carecemos de amor e fomentamos o vazio. Porque no amor, no amor mesmo, ou você mergulha de cabeça – e de coração – ou deixa pra lá. Porque no amor você se conecta. Porque no amor você não consegue controlar. Porque apesar dos perigos de uma eventual morte, caso nada dê certo, os benefícios da vivência intensa são incrivelmente superiores às piores probabilidades. E mesmo que, no amor, você morra, nada vai te impedir de ressuscitar.

Anúncios