Esfinge

por catatonizando

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Como fantasiada para um baile de máscaras, Marisa sai todos os dias de casa. Pronta para forçar sorrisos e sustentar conversas fiadas. Não se deixa conhecer e não conhece. O riso que dá não lhe pertence. Quem ela é, diante dos outros, no fim das contas, fica ausente. Vestindo uma roupa que não é dela, esconde a dor legítima de sua existência. Cheia de pausas, sem pertencer a lugar algum, caminha buscando o anonimato. Com medo de chamar a atenção para o sofrimento, evita os mais diversos tipos de contato. Ela se esquiva, tão ligeira quanto um animal que despista o predador. Obstinada, foge, finge. Esfinge.

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