O outro

por catatonizando

Entre o “mim” e o outro há algo de intransponível. Existe uma coisa tão pesada e ao mesmo tempo tão sutil que não posso encontrá-la ou enfrentá-la face a face. Existe um monstro interno que me faz caminhar cada vez mais para dentro, por uma rota que parece um atalho, mas, que de tão profunda, acaba por me levar a lugar algum. Deparo-me com o nada, então, e lá permaneço, (in)quieta no colo daquilo que me é uma divindade ou, quem sabe, da Mãe em que pousei os olhos no momento em que nasci e jamais deixei de fitar.

À distância, o outro apenas observa minha figura serena, inconsciente da falta de movimento que perdurou por tantos anos que a inércia passou de estado a ser. O outro, criatura da qual ouço falar com frequência e que, no entanto, me é tão estranha quanto o amor de uma vida inteira, não deixo de mim se aproximar. Porque estou fechada como a boca dos silenciosos e morta como alguém que existe, mas deixou de viver.

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