catatonizando

palavras de um eu catatônico

Mês: março, 2016

identidade

eu sou um mundo que não cabe em mim
e também aquilo que todo dia tem fim
eu sou seda: macia, doce, serena
e também lâmina prestes a cortar, azeda
eu sou o vulcão cheio de lava
e também blasé, indiferente, comportada
eu sou o frio da noite adentro
e também a paixão desvairada

eu sou sensível sem saber ser
e às vezes choro sem ter um por quê
eu sou confusa, estou sempre em dúvida
e não chego a nenhum veredicto
eu sou calada, pensam que sou muda
e com uma mente barulhenta, lamento não ter dito
eu sou frágil como uma gota de chuva
e quebro facilmente quando decepcionada

eu sou ponto e sou vírgula
eu sou porém e sou conformidade
eu sou tudo e sou nada
eu sou permanência e sou saudade

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uma fantasia para o fim do mundo

ai dos inocentes!
acreditam no alívio
causado pela ausência
da dor lancinante
ignorando o encontro
na dor pungente
no sofrimento atroz
do abrandamento do pesar
desconhecendo:
o sofrer surdo
o apelo sem voz
de um peito
pretensamente
curado
é capaz de matar
pouco
a
pouco
como um veneno
toma conta do corpo
enquanto quem não se sabe
enfermo
permanece
a sonhar.

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